Capítulo 03
Como é o diagnóstico
Não existe um único exame que isoladamente confirme o glaucoma. O diagnóstico é construído pelo oftalmologista combinando avaliação clínica e exames complementares.
Visão geral
O processo diagnóstico costuma envolver dois momentos:
- Avaliação clínica em consulta — incluindo história, exame oftalmológico completo, medida da pressão e avaliação do nervo óptico
- Exames complementares — solicitados conforme a suspeita: campo visual, OCT, gonioscopia, paquimetria, entre outros
A integração dessas informações permite confirmar o diagnóstico, classificar o tipo de glaucoma e definir o plano de tratamento.
A consulta oftalmológica
Na consulta, o médico investiga aspectos que podem aumentar ou reduzir a suspeita de glaucoma:
- História familiar — parentes de primeiro grau com glaucoma elevam o risco
- Histórico médico — diabetes, doenças cardiovasculares, uso de corticoides, traumas oculares prévios
- Sintomas — embora muitas vezes ausentes na fase inicial
- Exame oftalmológico geral — refração, exame externo, biomicroscopia
- Avaliação do nervo óptico à fundoscopia — sinal fundamental
- Medida da pressão intraocular
Tonometria — medida da pressão intraocular
A pressão dentro do olho é medida por um exame chamado tonometria. É rápido, indolor e fundamental.
Tonometria de aplanação (Goldmann)
Tonometria de não-contato (de sopro)
Avaliação do nervo óptico
O exame do nervo óptico (fundoscopia) é uma das partes mais importantes da consulta. O oftalmologista avalia:
- Escavação do disco óptico — uma "depressão" central. Quando aumentada ou assimétrica entre os olhos, é sinal de glaucoma
- Coloração e contorno da rima neurorretiniana (parte saudável do nervo)
- Presença de hemorragias na borda do disco
- Alterações da camada de fibras nervosas peridiscal
Esse exame pode ser feito com oftalmoscópio direto ou indireto e também é registrado por imagens de fundo (retinografia) para comparação ao longo do tempo.
Gonioscopia
Exame que permite visualizar diretamente o ângulo entre a íris e a córnea — onde está a estrutura de drenagem do humor aquoso.
É feito com uma lente especial (gonioscópio) sobre a córnea, com anestesia tópica. Permite classificar o glaucoma em ângulo aberto, fechado ou estreito, e detectar alterações como sinéquias e neovasos.
Paquimetria
Mede a espessura central da córnea. Esse dado é importante porque a tonometria pode superestimar ou subestimar a pressão real conforme a espessura corneana:
- Córnea fina → pressão real pode ser maior do que a medida
- Córnea espessa → pressão real pode ser menor do que a medida
Além disso, córnea fina é, por si só, um fator de risco independente para progressão do glaucoma.
Campo visual computadorizado
Também chamado de perimetria. Mapeia a sensibilidade visual em diferentes pontos do campo visual. É o exame que mostra onde e quanto o glaucoma já comprometeu a visão funcional.
Como é feito
O que detecta
- Áreas com sensibilidade reduzida ou ausentes (escotomas)
- Padrões característicos de glaucoma — como o escotoma arqueado (de Bjerrum) e o degrau nasal
- Comparação com exames anteriores para detectar progressão
OCT — Tomografia de Coerência Óptica
Exame de imagem moderno que permite medir a espessura das camadas da retina e do nervo óptico com altíssima precisão. Não tem contato e é rápido.
No glaucoma, o OCT mede principalmente:
- A camada de fibras nervosas peripapilares
- A camada de células ganglionares da mácula
- A escavação e a área da rima do nervo óptico
Essas medidas detectam perdas estruturais antes mesmo de aparecerem alterações no campo visual — útil para diagnóstico precoce e monitoramento de progressão.
Com que frequência repetir os exames
Depende do estágio da doença, do nível de pressão e da estabilidade do quadro. Em linhas gerais:
- Suspeita de glaucoma ou doença leve — controle em geral a cada 6 meses
- Glaucoma estabilizado — controle a cada 6 a 12 meses, com exames complementares periódicos
- Glaucoma instável ou avançado — controle mais frequente, com individualização do plano
Tem dúvidas sobre seu caso?
Agende uma avaliação com o Dr. Pedro Ferrari, especialista em glaucoma em Campinas.
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